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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Baixo ganho de peso, pouco leite… relato de quem superou esse pesadelo!

Esse relato é de uma queridona!
Tive a HONRA de estar no seu parto e olha… que partaço! =D

Mas como nem tudo são flores, depois de parir lindamente e achar que o mais difícil tinha passado, a nossa doce Tina ainda daria muito trabalho!

Segue o relato da Gil, mãe da Valentina, esposa do Thiago, advogada workaholic, amiga da Amanda (que nos apresentou) e mais mil e uma funções que nós todas assumimos muito bem, obrigada ;)


"Valentina chegou, e, com ela, a dificuldade em amamentar. Não, não é fácil. A insegurança bateu forte dentro de mim. Valentina mamava, como mama, exclusivamente leite materno, em livre demanda, e no começo ficava horas plugada e, por isso, eu ouvia sempre os mesmos comentários: "nossa, vai mamar de novo?", " seu leite deve ser fraco", " tem que dar mamadeira". Desde que engravidei sempre quis parir e amamentar e sempre ouvi milhões de críticas que, querendo ou não, ficaram em mim.
Acho que tudo isso foi martelando na minha cabeça e me estressando muito.
Foi quando, passado um mês e meio do nascimento, retornamos à pediatra para uma consulta de rotina.

Sai de lá com o coração em frangalhos, ao ser constatado o baixo ganho de peso. A sorte é que a pediatra da Valentina super apóia a amamentação e com toda paciência me instruiu a fazer a relactação, se necessário, com leite artificial. A palavra "fórmula" me causava arrepio, e, confesso que ainda causa. Na minha cabeça já apareciam imagens da Valentina com a mamadeira na boca. Não estou criticando mães que dão mamadeira, mas para uma mãe que quer amamentar receber essa notícia soa como que a incapacidade em alimentar a sua cria.   Saí do consultorio e já mandei mensagem pra Ana Garbulho, que, mais uma vez, me acolheu. Lá fui eu para relactação. Eu me entupia de chá da mamãe, de

água e tomava  tintura de algodoeiro. E tudo deu certo. Valentina continuava, (e continua) mamando em livre demanda e no pouco tempo que não mamava eu deixava 'chupetar' ou estimulava extraindo leite com a bombinha. O leite que eu extraía eu congelava e fazia a relactação com ele e pouquíssimas vezes com a fórmula. Nove dias depois voltamos à pediatra e Valentina havia ganhado 42g dia ! E o melhor, com meu leite, pq se demos a fórmula três vezes, uns 50ml, foi muito! Daí por diante não demos mais leite artificial e ela segue ganhando peso só com o "tetê dela", a hora que ela quiser e o quanto ela quiser. Eu fiquei mal. Chorei. Mas tive apoio do marido, da minha mãe, das amigas mais próximas e percebi claramente que o leite materno vem da auto confiança. Nosso corpo é perfeito. Cada mãe e cada bebê tem um ritmo próprio. Se vc quer, vc consegue, confie."


           Nem sempre a translactação dura apenas 9 dias, nem sempre a gente consegue de cara um aumento da produção de leite. Quando mais apoio e serenidade para lidar com esse impasse, melhor! Algumas mães também usam a acupuntura e a massagem como aliadas e os resultados são ótimos! Mas sabemos que o mais importante é que o bebê que está ganhando pouco peso tenha muito colo, muito pele a pele com a mamãe e muito peito, que sua pega esteja correta e que seja acompanhado por um pediatra para que a situação não assuma riscos. Também pode ser útil dosar os índices de hormônios tireoidianos, tenho acompanhado algumas nutrizes que têm sofrido com as oscilações de TSHe e isso tem refletido na produção. Introduzir um complemento na mamadeira será um caminho mais fácil para o ganho de peso mas também será um caminho de maior dependência, quando não o desmame.
Chame uma consultora em aleitamento se tiver dúvidas e invista em relactar o bebê para aumentar a produção de leite materno. Nenhum leite é tão perfeito para seu bebê quanto o seu, é sempre bom lembrar.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

:: BodyTalk e Amamentação ::

Li esse depoimento numa página sobre BodyTalk no Facebook. Achei incrível e quis compartilhar aqui no blog, claro, com a permissão da autora.

Pra quem não conhece sobre o assunto, o sistema BodyTalk é um processo terapêutico de cuidado integral com a saúde que compreende a psicologia, fisiologia e a bioenergética do corpo e da mente. O BodyTalk atua na comunicação e na sincronização dos sistemas do corpo-mente, levando o indivíduo a um estado de bem-estar que entendemos como saúde.
Por ser uma modalidade não-invasiva, também pode ser aplicado em gestantes e bebês.

É muito legal poder contar com muitas alternativas quando o assunto é amamentação porque alguns casos são simplesmente de "descabelar". O mais legal é que diferentemente dos produtos disponíveis no mercado (concha, bico de silicione, pomada de lanolina…) esse tratamento não causa dependência e não tem contra-indicação! hehe

Tô fazendo merchan gratuito, viu?! O meu único interesse é que outras mulheres possam ter acesso a esse apoio.


Então aí vai o relato:

"Meu nome é Vanessa, tenho 32 anos, sou mãe da Vitória, quase três meses. Quando a minha filha nasceu, num lindo e rápido parto domiciliar, eu pensava que o parto seria a etapa mais difícil da minha trajetória inicial como mãe, mas eu me enganei, difícil mesmo foi a amamentação, eu tive fissuras nos dois mamilos já no primeiro dia de vida da Vitória, alguns dias depois eu tive ingurgitamento mamário, causado pelo acúmulo de leite, uma vez que eu reduzia o número de mamadas da Vitória o máximo possível por medo de sentir dor, mas o que eu conseguia era ainda mais e mais dor, pois com o seio ingurgitado a pega ficava mais difícil, logo mais dor a cada sugada, aliás sugar é o que a Vitória faz com muita habilidade e competência, eu sentia que uma ventosa muito potente se acoplava nos meus seios e eu chorava de dor enquanto minha filha sugava demonstrando imenso prazer, a situação era ruim, porque doía muito, mas era boa, porque minha filha se alimentava do meu amor líquido, e esse foi o paradoxo vivido por mim durante mais de dois meses de amamentação.
Mas se a situação estava tensa podia ficar ainda pior, aos trinta e poucos dias de vida da minha menina eu tive candidíase mamária, uma sensação horrível de queimação, coceira, dor e latejamento dentro dos seios, e então o negócio ficou muito pior, pois não bastasse as noites mal dormidas, os horários de alimentação totalmente fora da minha rotina pré mãe, a frustração por não estar curtindo a amamentação como eu esperava, o pavor de ter que oferecer leite artificial à minha filha mesmo tendo eu uma excelente produção de leite, agora eu tinha que passar dias e noites tratando à mim e à minha bebê com medicamentos contra o fundo causador da candidíase, tomando cuidado para não haver recontaminação por contato com objetos e materiais utilizados nas mamas.
Foi diante desse quadro que me lembrei do BodyTalk, essa terapia fenomenal que se baseia no conceito de que nossas emoções, mente e corpo são uma unidade inseparável e integrada num complexo de comunicação constante e atuação uns sobre os outros. Pois bem, eu procurei a Isadora F. S. Ribeiro, terapeuta especializada nessa técnica de tratamento, e realizamos uma sessão à distância, durante a sessão percebi que minha consciência sobre o meu corpo, minhas emoções e questões sobre a minha própria vida estava debilitada; a sessão colaborou com a mudança de minha freqüência energética, o meu corpo precisava reassumir funções orgânicas. O meu estado de espírito estava muito abalado e durante uma semana, duração da ação daquela sessão de BodyTalk, o meu “trabalho” era aprimorar os meus sentidos, reequilibrar minhas energias, realizar um escaneamento do meu ser, localizar e tratar pontos do sistema, cujas funções estavam afetadas e refletiam aquele meu estado de caos. Aquela semana de tratamento foi intensa, eu precisava me comunicar com o meu corpo através dos meus sentidos e emoções, precisava compreender a minha “função” de mãe, entender o processo pelo qual eu estava passando. Realizei durante todos os dias do tratamento a técnica dos córtices, e a cada dia eu ia me comunicando melhor com o meu corpo e ajustando minhas emoções, sincronizando e equilibrando a interação corpo-mente, relembrando o meu corpo a cumprir suas funções, retomar as rédeas de seu funcionamento. Eu me permiti viver um dia de cada vez, a agradecer ao Universo pela oportunidade de crescimento pessoal e espiritual que a maternidade estava e está me proporcionando a cada dia e percebi que eu estava potencializando a dor e o sofrimento e menosprezando a possibilidade ímpar de aprendizado da paciência, da confiança no meu corpo, no meu poder de mãe e mulher. Desde então passei a manter acesa em mim a chama e a luz da perseverança, da esperança por dias melhores. Os pontos abordados naquela sessão de body talk fizeram muito sentido para mim, eu necessitava reiniciar o meu sistema nervoso, tal qual uma maquina em pane, liberar o estresse, aceitar aquele momento e suas transformações, compreender seus significados, eu precisava (re) significar a mulher que eu era e assumir a nova mulher que nasceu naquele transformador parto domiciliar e que renasce todos os dias nesse caminhar que a maternidade nos apresenta, mas que cabe à nós escolher a forma como o seguiremos, pode ser prazeroso e significativo ou doloroso e vazio, cabe à cada uma de nós escolher.
Há pouco mais de duas semanas eu vivo o paraíso na Terra, amamentar tem sido um dos melhores momentos da minha interação com a Vitória, imenso amor e prazer numa fusão mãe-filha inexplicavelmente encantadora."
Depoimento de Vanessa Gomes, São Paulo - Agosto 2015
Para agendar uma sessão de BodyTalk com a Terapeuta Isadora Ribeiro envie um whatsapp para (11)997380727

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Curvas de Crescimento - por Dr. Carlos Gonzalez

Este texto é tão bom e tão útil que merece e PRECISA ser compartilhado em todos os blogs possíveis, por isso estou 'roubartilhando' ele do GVA (Grupo virtual de amamentação).
Só este mês estou acompanhando de perto quatro lactantes que estão sofrendo com seus bebês que ganham pouco peso. É tão difícil explicar para elas o que o Dr. Gonzalez nos explica nesse texto, justamente por conta da própria leitura médica diante de um gráfico.
Se você também está passando por isso, se seu bebê "não está dentro das curvas", por favor, dedique alguns minutos de seu tempo e volte toda a atenção para entender o que pode estar passando.
Você, provavelmente, vai se sentir aliviada!

"Em alguns casos, o problema não começa pelas mamadas "muito curtas", mas pelo peso "muito baixo". No mundo há pessoas de todos os tamanhos, e qualquer manhã, quando vamos comprar pão, cruzamos com pessoas que pesam 50 kg e outras que pesam 100 kg. Você realmente acha que essas pessoas pesavam o mesmo quando tinham 3 meses? Por que é tão difícil aceitar as diferenças no peso dos filhos?

'Tenho um bebê de 3 meses que é amamentada. Até agora, ela vinha ganhando peso bem, 200 ou 250 g por semana. Duas semanas atrás, eu a levei ao pediatra e quando ele a pesou só tinha engordado 80 g. Ela nasceu com 3200 g e agora está com 5820 g. A pediatra recomendou uma "ajuda", mas quando eu dou a mamadeira, ela recusa. Também comprei outros bicos, porque ela não aceita a chupeta, ela continua não aceitando, começa a chorar e passa até quatro ou cinco horas sem mamar no peito; tentei colocar no leite um pouco de papinha e dar com a colher, mas ela também não quer. Ela só quer saber de mamar. Mas eu não posso continuar assim, estou preocupada com saúde dela, pois não ganha quase peso e a pediatra diz que ela está abaixo da curva.'


Abaixo de que curva? De acordo com os gráficos norte-americanos de desenvolvimento, o peso dessa menina está acima da média. Ela ganhou 2620 g em 3 meses, mais de 850 g por mês. A única medida que não está bem é a que mede a paciência da mãe. Quantas horas mais de angústia, quantas idas à farmácia para comprar novas mamadeiras e novos leites, apenas porque alguém interpretou mal um gráfico? Quantas mamadeiras um bebê terá de recusar para mostrar que ele não as quer?

Este exemplo ilustra dois problemas fundamentais: de um lado a interpretação generalizada dos gráficos; de outro, o ritmo de crescimento dos bebês amamentados.

O que é e para que serve um gráfico de peso?

Isto é um gráfico de peso. Totalmente inventado, não tente encaixar as medidas de seu filho nele! Está aqui apenas para explicar o que significam as linhas. Há diferentes gráficos de peso: os americanos (que são recomendados pela OMS para todo o mundo) e os de outros países que decidiram ter gráficos próprios para não ficarem para trás: franceses, ingleses, espanhóis... De qualquer forma, esses gráficos não são iguais e se um pediatra ou uma enfermeira nos lê poderia passar divertidas tardes de domingo comparando-os.




Os números da direita são chamados percentis. O percentil 75 significa que de cada 100 crianças saudáveis, 75 estão abaixo daquela curva e 25 estão acima. Em alguns gráficos, os percentis extremos são 95 e 5 e não 97 e 3.

Outros gráficos não usam percentis, mas médias e desvio padrão. Nesses gráficos aparecem, da base ao topo, cinco linhas que correspondem aos números -2, -1, média, +1, +2 do desvio padrão. Nós pediatras falamos com intimidade sobre esses gráficos, como se fossem parte da nossa família. Então, dizemos coisas como "a altura está em menos um, mas o peso em menos dois". A propósito, dezesseis por cento das crianças saudáveis estarão abaixo do "menos 1", enquanto que dois por cento estarão abaixo do "menos dois".

Coloquei no nosso gráfico o peso de três bebês fictícios da mesma idade. Adela está com peso totalmente normal, embora apenas seis por cento das meninas nessa idade pesem mais. Ester, apesar de ter 1,5 kg a menos que Adela, também tem peso normal, mas 85 por cento das meninas da sua idade têm peso maior que o dela. Não há como dizer, de nenhuma forma, que Ester tem "baixo peso" ou com "a curva ruim"". É um erro comum querer que todas as crianças estejam acima da média. Metade das crianças, por definição, estará abaixo do percentil 50.

E Laura? Ela está abaixo da última curva e muitas vezes isso se interpreta com "está com baixo peso". Mas atenção: a última linha é a do percentil 3; 3% das crianças saudáveis está abaixo. Essa linha não é uma fronteira que separa as crianças saudáveis das crianças doentes, mas um sinal que diz ao pediatra: "Cuidado, olhe bem a Laura porque provavelmente ela não tem nada, mas pode ser que esteja doente" Como o pediatra distinguirá esses 3% de crianças saudáveis que estão abaixo da linha dos que estão com pouco peso por causa de uma doença? Bem, para isso ele estudou medicina.

Eu tenho insistido muito que vinte e cinco por cento das crianças saudáveis estão abaixo do percentil 25. Porque o gráfico foi feito pesando muitas centenas ou milhares de crianças saudáveis.

Naturalmente, se um bebê nasce prematuro, com síndrome de Down, com alguma cardiopatia grave, ou foi internado durante semanas por causa de uma tremenda diarreia, seu peso já não se usa para calcular a média dos gráficos de peso normal Pela mesma razão, se o seu bebê tem algum desses problemas ou outros similares, seu peso provavelmente não irá se encaixar nesses gráficos. O fato de uma criança com doença crônica (ou que recentemente teve alguma doença aguda) estar com "baixo peso" não é por não comer, mas porque esteve doente. Forçá-lo a comer não vai ajudar a curá-lo; vai apenas fazê-lo sofrer e vomitar. Agora, adicionamos ao gráfico imaginário mais dois pesos de meninas imaginárias.


No topo está a Tâmara; seu peso, como você pode ver, está entre os percentis 90 e 97. Muitos irão dizer que ela está "seguindo a curva".
A linha mais abaixo mostra o peso de Marta. Vemos que num determinado momento ela ultrapassou o percentil 50, mas depois ela se aproximou do percentil 10. O que houve com Marta? Provavelmente nada. Claro que se a curva se modificar muito rápida ou abruptamente (de forma muito íngreme), o pediatra deveria olhá-la com carinho para ter certeza de que não há nenhum problema. Mas provavelmente não irá encontrar nada. Simplesmente, porque gráficos de peso não são caminhos para serem seguidos, mas representações matemáticas de um complexo sistema de estatísticas. As curvas e os percentis correspondentes não representam o ganho de peso de uma criança em particular e o ganho de peso de uma criança não tem que seguir nenhuma dessas linhas. O próximo gráfico ilustrará melhor.

Com o propósito de colocar nossa marquinha na história da pediatria, ao invés de usar um gráfico americano ou espanhol, decidi usar um gráfico próprio (o primeiro gráfico virtual, uma vez que foram usados somente pesos de bebês fictícios). Começamos pesando duas meninas durante o primeiro ano e obtivemos as duas linhas grossas.


Calculamos a média dessas duas meninas e obtivemos a linha mais fina que está no meio. Uma dessas meninas começou acima da média e depois passou a ficar abaixo, a outra começou abaixo e depois subiu. Nenhuma delas seguiu a média. Deveríamos dizer que essas meninas têm problemas nutricionais por não terem "seguido a curva"? Claro que não. A média é que não segue a "curva" dessas meninas.

Claro que gráficos de peso não são desenvolvidos usando apenas duas meninas, mas centenas. Pode imaginar como as coisas podem se complicar?

O crescimento de crianças de peito

O ganho de peso de Marta, que vimos acima, é bem típico de bebês que mamam no peito. Os gráficos de peso mais comuns foram desenvolvidos há alguns anos, quando muitos bebês tomavam mamadeira, e os que mamavam no peito o faziam só por umas semanas. Atualmente, mais e mais bebês são amamentados durante meses e eles não seguem os antigos gráficos. Vários estudos (1,2) feitos nos EUA, Canadá e Europa mostram que bebês amamentados geralmente ganham peso mais rápido no primeiro mês do que mostram os gráficos, mas depois eles começam a perder velocidade e vão baixando de percentil. Por volta de seis meses eles perdem a liderança que obtiveram com o ganho de peso no primeiro ano, e mantêm até 1 ano um peso "baixo" de acordo com os gráficos antigos. Enquanto estou escrevendo esse livro, a OMS e o UNICEF estão preparando novos gráficos baseados em bebês amamentados, que logo substituirão aos antigos (eles devem estar prontos em 2004, embora já estejam atrasadas há anos). Não se trata de fazer gráficos para bebê de peito e outros diferentes para crianças que tomam mamadeira; os mesmos gráficos serão usados para todos (3). Enquanto isso, muitas mães levarão grandes sustos, porque dirão quando seu bebê tiver dois ou três meses que ele está "caindo" de peso, ou aos oito ou nove meses que seu filho está com "baixo peso" Isso não é verdade, seu bebê está bem.

Por que o crescimento de um bebê amamentado é tão diferente de um que toma mamadeira? Não temos muita certeza, mas em todo caso, não é por falta de alimento. Durante o primeiro mês, quando só tomam leite, bebês amamentados pesam o mesmo ou mais. Entre seis e doze meses, quando tomam papinhas além do leite, bebês amamentados pesam um pouco menos. Se fosse verdade a frase "o peito já não sustenta" (o que é uma grande bobagem uma vez que o leite materno alimenta mais que a mamadeira e mais que as papinhas), a criança ficaria com fome e comeria mais papinha e consequentemente ganharia o mesmo peso do bebê de mamadeira. A diferença é mais profunda; por alguma razão, leites artificiais levam a um padrão de crescimento que não bate com o padrão de crescimento do bebê amamentado.

Na primeira edição deste livro, eu escrevi: "Nós não sabemos quais consequências pode ter esse crescimento excessivo". Agora já sabemos. Muitos estudos (4,5) demonstraram que bebês que foram amamentados por menos de seis meses têm taxas mais altas de obesidade e têm mais chances de apresentar sobrepeso e obesidade entre os 4 e os 6 anos.

Nem todas as crianças crescem no mesmo ritmo


'Tenho uma filha de 8 meses e nos últimos 4 meses ela não ganhou peso, seu peso durante quatro meses é de 7.450 g e a altura aumentou pouco a pouco até os 71 cm que ela tem agora. O pediatra dela me disse que se ela não ganhar peso esse mês, vai solicitar exames de sangue, para ver se ela está com algum problema; se não é porque é inapetente e ponto.
Comer, come muito pouco. Ela recusa a colher e quando eu a forcei a comer com a colher, ela vomitou tudo. Continuo dando tudo com mamadeira: frutas, papinhas e cereais.'



Certamente não é "normal" (no sentido de "comum") que um bebê não ganhe nada de peso entre 4 e 8 meses. Para descobrir se além de pouco comum é também patológico, é preciso considerar outros dados, entre eles os exames que prudentemente pediu o pediatra para ter certeza que o bebê não está doente. Mas se nada for detectado, é melhor esperar pacientemente "é inapetente e ponto". Especialmente nesse caso em que também não é comum pesar tanto aos quatro meses; ela estava praticamente no percentil 95. A altura aos oito é grande, mais que a média.

Todos os exames foram normais e aos 13 meses essa menina estava pesando 8 kg e continuava sem querer comer. Parece que ao invés de manter um lento e constante ganho de peso, ela ganhou todo seu peso nos primeiros 4 meses e depois parou de ganhar.

Existe um ritmo de crescimento especial que geralmente leva os pais à loucura, chama-se "atraso constitucional do crescimento ". É apenas uma variação do normal, não uma doença. São crianças que não seguem nenhum gráfico; elas têm a sua própria curva de crescimento. Elas nascem com peso normal e crescer normalmente durante uns meses. Mas em algum momento entre o terceiro e o sexto mês elas estacionam e começam a crescer lentamente, tanto em peso como em altura. Mas, isso sim, seu peso é adequado a sua altura. O pediatra pode pedir exames, mas tudo estará normal. Eles ficam no limite ou fora dos gráficos por dois anos, mas por volta dos dois ou três anos eles começarão a crescer mais rápido até atingir uma altura final completamente normal e são adultos de estatura mediana. Isso é uma característica hereditária e pode ser muito tranquilizante quando as avós finalmente admitem que o pai ou o tio "também era muito miúdo no início e o pediatra vivia dando vitaminas", mas no final de tudo ele cresceu. Veja um típico exemplo:

'Minha filha tem dezoito meses e, felizmente, ainda mama no peito apesar dos comentários negativos de 99% das pessoas. O problema é que desde os 4 meses, quando eu voltei a trabalhar, ela não come bem. Ela começou a perder peso e agora está com 73,2 cm e 8.690 g. Ela fez exames e está tudo normal.'

Aos dezoito meses, de acordo com os gráficos americanos antigos, uma menina no percentil 5 deveria ter 8.920g e 76 cm. Entretanto, para uma menina de 73cm, o peso está acima do percentil 25. Ela foi ao endocrinologista e o hormônio do crescimento está normal. Então, tudo que se tem a fazer é esperar alguns anos.

Logicamente, uma criança que cresce tão devagar come ainda menos que as outras crianças.

(1) Dewey, K. G. et al. Growth of breast-fed infants deviates from current reference data: a pooled analysis of US, Canadian, and European data sets.Pediatrics 1995; 96: 495-503.
(2) WHO Working Group on Infant Growth. An Evaluation of Infant Growth. Document WHO/NUT/94.8, OMS, Geneva, 1994.
(3) Dewey, K. G. Growth patterns os breastfed infants and the current status of growth charts for infants. J Hum Lact 1998; 14: 89-92.
(4) Von Kries, R. et al. Breast feeding and obesity: cross sectional study. BMJ 1999; 319: 147-50.
(5) Grummer-Strawn, L. M. and Mei, Z. Does breastfeeding protect against pediatric overweight? Analysis of longitudinal data from the Centers for Disease Control and Prevetion Pediatric Nutrition Surveillance System. Pediatrics 2004; 113: ee81-86.

NOTA DO TRADUTOR: Os novos gráficos da OMS foram lançados em 2007.

Do livro Mi niño no me come de Carlos González

Tradução: Fernanda Hack e Luciana Freitas
Revisão: Luciana Freitas

FONTE: GVA


Para fins de informação, seguem as novas curvas de crescimento da OMS (2007) para crianças de 0 a 5 anos:







sábado, 1 de agosto de 2015

SMAM 2015 - Relatos Inspiradores

Em comemoração à SEMANA MUNDIAL DE ALEITAMENTO MATERNO de 2015, cujo tema é "AMAMENTAÇÃO E TRABALHO - Para dar certo o compromisso é de todos" pedi para amigas queridas relatarem como conseguiram voltar ao trabalho sem desmamar seus filhos.
Grata à todos os relatos que me foram dados voluntariamente com um único objetivo: Encorajar outras mulheres à fazer o mesmo!
O leite materno é insubstituível! Vale cada esforço!




Inspirem-se...

"Sou mãe da Luna, Luneta para os mais íntimos, uma pitchuca cheia de personalidade rs

Estamos no aleitamento materno a 1 ano e 9 meses ( quase, completa dia 02).
Alimentei exclusivamente até os seis meses, sem água, chá ou suquinhos... foi fácil não. 

Quando estava se aproximando o retorno na licenca maternidade ela estava prestes a completar 6 meses, mas eu não queria que a escola iniciasse a introdução alimentar. Queria acompanhar...

Tirava leite e mandava em porções pra escola congelado. Serviam em copinhos pra ela. Não aceitava muito bem, mas tomava um pouco. Tirava o atraso antes e depois que eu chegava em casa.
Consegui ainda uma semana pra ficar em casa por conta de férias...então comecei as frutinhas e ela foi comendo frutas e meu leite.
Na escola diziam que ela preferia leite artificial ( ahhhnn???? Eu nunca dei LA pra ela.) e que adorou o bolo de cenoura com chocolate ( aaahnnnn?????2).

Teve briga, revolta, meu leite diminuiu bem e quase surtei.

Um mês mais ou menos pra adaptação...ela ficava bem na escola, mas eu não trabalhava tranqüila. Pensei em tirar. Sair do trabalho e ficar com ela. Não dava. A grana tava curtíssima.
Começamos a introdução dos salgados e ai ela foi optando por não tomar o leite na escola ( ou eles optaram por isso...nunca me contentei com o argumento)...

Ela fica ate hoje de 4 a 5 horas na escola. O tempo extra que eu estou no trabalho fica com o pai que ofereceu meu leite até mais ou menos 1 ano ...depois permaneceu apenas com as mamadas da manhã, depois do almoço (antes da escola) e a noite , quando me buscam ...além do Tetê da madrugada...cama compartilhada é a maior delicia!"

por Ludmila Dorta


"Voltei a trabalhar quando minha filha tinha 4 meses.15 dias antes de voltar, comecei a ordenhar e armazenar leite...fiz um estoque bom...e tiro até hoje...pra deixar na minha avó que cuida da minha filha que está com 1a3m."

por Carolina Fanti



"Eu sou mãe de Lucas, com 3 anos e 10 meses, quando nasceu Marina, através do meu VBA1C.

Em 2010, no mês de outubro, nasceu de uma cesárea, o Lucas. Eu não reagi muito bem à cirurgia. Não de forma física, mas psicológica. O retorno do hospital para casa foi um momento de medos e angústias, e a amamentação foi um capitulo extremamente dolorido.

Eu demorei a ter leite. Ofereceram leite artificial para meu filho no hospital, em função disso. As nossas primeiras noites foram terríveis, eu sem saber o que fazer com aquele bebê que chorava muito. Na primeira noite, dormi sentada com o meu dedo na boca dele, tamanha era a necessidade de sucção. Eu começava ali um longo caminho de dor.

Eu nunca havia lido, conversado ou mesmo estudado sobre amamentação. Achava ser algo natural e lindo, pura poesia! Ledo engano.

A pega estava errada, meu peito abriu e ficou em carne viva. Eu usava conchas de amamentação, vazava leite o tempo inteiro. Tudo que mandavam, eu fazia. Doía demais amamentar e eu amamentava de três em três horas porque, na época, achava que criança tinha relógio interno.

Nas consultas de retorno ao pediatra e à obstetra para ver cicatrização, ambos me aconselharam ir ao banco de leite. Fomos os três: eu, meu marido e nosso pequeno. Lá, descobri que me ensinaram muitas coisas erradas e que o que faltava fazer parecia simples. Meu marido prestou muita atenção porque sabia que eu estava esgotada, sem conseguir dormir por mais de duas horas seguidas meu marido foi essencial para conseguir fazer o que me ensinaram no banco de leite.

Conseguimos! Mas com 5 meses, o meu pequeno perdeu peso e mandaram complementar com leite artificial. Eu introduzi a mamadeira e, nessa altura, voltaria a trabalhar em horário integral. Longe, e sem sala para fazer ordenha. Então, o leite artificial foi substituindo o materno até que, com 9 meses, ele não quis mais. Eu sofri com essa recusa. Tentei por muito tempo, mas ele não queria. Todos falavam que estava bom, "não insiste porque ele depois não larga".

Minha nova gravidez encontrou uma mulher mais bem informada e totalmente modificada pela maternidade do primeiro filho.

Briguei pelo parto e sabia que brigaria pela amamentação. Estudei, fiz cursos, troquei informações e as repassei para minha mãe - que fica com meus filhos enquanto trabalho. Li em grupos, que as avós e cuidadoras familiares são o maior risco de desmame precoce. Foi um trabalho homeopático, de grão em grão, que deu certo.

Não tive nenhum percalço na amamentação da mais nova: continuei com muito leite, doei para o banco de leite. O desmame precoce do mais velho ajudou na defesa de não usar bicos artificiais e proibir a compra de mamadeiras.

Dediquei-me a muita leitura e comprei diversos copos de treinamento antes do retorno ao trabalho.  Retornar ao trabalho quando seu filho tem pouco tempo é extremamente cansativo, fisicamente e psicologicamente. Eu sou arquiteta, minha profissão requer tempo para reuniões com clientes, horas que não estavam no planejamento de dedicação para projetos. E eu trabalho de segunda-feira a sábado.

Voltei a trabalhar. Tinha estocado da forma correta, ela tinha 5 meses. Não imaginei que o estoque acabaria rápido. As primeiras tentativas foram difíceis e muito leite se perdia, foi uma semana de muito tumulto emocional. Na empresa, já aguardavam a minha volta com trabalhos que só eu poderia fazer. Eu ficava tensa, e ligava para saber se tinha dado certo a introdução do copo. E minha mãe tensa, com receio de a bebe passar fome. Foi uma semana difícil, na qual se não houvesse a certeza das decisões tomadas, teríamos as três desistido!

Ordenhava antes de dormir e, na hora do almoço oferecia um seio, e o outro eu ordenhava. Amamentava em livre demanda e, confesso, foi uma fase extremamente cansativa. Não conseguia me concentrar no trabalho. Os seios enchiam e me machucavam. Tinha horas que pensava se ia dar conta daquela loucura toda… Até porque o meu mais velho morre de ciúmes dela mamar e tudo isso me consumia demais psicologicamente.

Mas a insistência deu certo, minha filha mamou 6 meses exclusivamente. Vai fazer um ano em agosto e até hoje nunca usou bicos artificias ou ingeriu outro leite. Isso me enche de orgulho! Foi uma vitória conseguida a três – eu, minha mãe e minha filha."
Érika Domingues / Santos SP



"Quando voltei a trabalhar, depois de 5 meses, eu levava todos os dias uma bolsa bomba de leite da medela, e uma bolsa térmica que vem junto... O pediatra da Clara me deu um atestado que dizia para a empresa me liberar um local adequado para pode retirar o leite, e isso me ajudou... Me deram uma copa... Eu ia lá 2 vezes por dia e como era dupla, tirava em 15 minutos uns 200 ml... Deixava em um frigobar no andar que eu trabalhava e levava para casa no fim do dia.... Foi ótimo, ela nunca deixou de tomar meu leite até quase 2 anos…"

Por Andressa Fiori Rossete

"Estou tirando leite no trabalho, deixo na geladeira e congelo ao chegar em casa. Levo para casa em uma bolsinha térmica envolvido por uma bolsa de gelo. Eu amamento antes de sair e quando volto. Normalmente ele toma uma mamadeira com meu leite nesse período. Só LM, por enquanto, nada de leite artificial, graças a Deus!!"

por Thais CV


"Antes da Livia nascer eu pensava "vou voltar a trabalhar quando ela JÁ tiver 7 meses", mas poxa! Como 7 meses passam rápido!
Quando ela fez 5 meses comecei a pensar mais intensamente no retorno, queria manter o aleitamento exclusivo até os 6, introduzir a alimentação complementar antes de começar no berçário e manter a amamentação até que ela completasse um ano. Na minha cabeça o plano estava lindo e fácil.
Pois é, só na minha cabeça!
Comecei a tentar ordenhar o leite. Não foi tão fácil como imaginei! Comecei com bomba manual, depois tentei manualmente. Depois que me adaptei a tirar com a mão (e a me entender melhor), tirar com a bomba ficou bem mais prático.
Bom, quando a Lívia completou seis meses, introduzimos frutas em sua alimentação e começamos a ofertar o leite ordenhado.
A Lívia não aceitava bem o leite quando eu oferecia e no mesmo período começamos a adaptação na escolinha.
O pessoal da escolinha foi grande parceiro! Me ajudaram a oferecer em diferentes copinhos para verificar a melhor aceitação pela pequena.
Quando retornei ao trabalho tirava 300ml aproximadamente de leite, divididos em 3 porções, da forma como ela tomava.
Eu tirava em um dia o que seria suficiente para o dia seguinte.
Alguns dias era mais difícil tirar! Optei por uma bomba elétrica para agilizar e ela inclusive ajudou a aumentar a ordenha.
Também tinha dias que a Livia aceitava menos.
Ambas sofremos com a separação e choramos alguns dias.
Meus colegas de trabalho foram grandes apoiadoras! Me incentivavam a ordenhar e me acalmavam nos dias em que o coração estava mais apertadinho!
Eu ordenhava na cozinha do departamento e armazenava no freezer. Levava pra casa em bolsas térmicas.
Até aproximadamente 9 meses, continuei ordenhando três vezes ao dia, depois fui reduzindo conforme a aceitação da Lívia. Ela passou a tomar dois copinhos por dia e depois foi reduzindo a quantidade.
Um pouco antes de completar um ano ela passou a rejeitar o leite. Neste período sai de férias. Quando retornei ela não aceitou mais o leite no copinho. Então parei de ordenhar e de enviar o leite pra ela. Esse processo foi muito natural, pra mim e pra ela.
Hoje (com 1 ano e 8 meses) ela mama bastante quando está comigo, de manhã, quando chego do trabalho e em algumas noites, mama de madrugada.
Refletindo sobre o apoio, espaço, tempo, informação,... e sobre minha vivência de manutenção da amamentação na volta ao trabalho, tomo consciência de que o apoio que tive do marido, da família, dos amigos, dos chefes foi essencial e sou muito grata pelo carinho com que fizeram isso. Mas sobretudo, acreditar em mim mesma e que era possível foi determinante para seguir com o aleitamento."

por Dione Pavan do Blog "Maternidade sem neura":  
https://blogmaternidadesemneura.wordpress.com/2015/06/12/trabalho-e-amamentacao/



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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A Mãe com a própria Mãe

Hoje eu tive um in sight e senti que devia compartilha-lo aqui no blog.
Ele aconteceu enquanto eu lia o livro da Laura (depois de uma longa semana cheia de trabalho sem conseguir pegar no livro). Na página 76 ela conta um relato de um caso complicado de amamentação ligado à dificuldade da mãe em seu relacionamento com sua própria mãe.
Lembrei-me, então, do meu próprio caso.
Compartilho...

Durante toda a minha vida senti que minha mãe não sentia por mim o mesmo Amor e admiração que sentia por minha irmã mais velha (que eu Amo muuito). Essa diferença que fazia descaradamente era uma trava dentro de mim (e ainda choro em pensar nisso). Eu não podia perceber o quanto isso me fazia mal. Noites e noites chorei sozinha pensando em quando eu superaria esse sentimento e aceitaria que é natural que minha mãe não pudesse amar aos 3 filhos da mesma forma, que isso também tinha a ver com uma questão de afinidade (da qual meu pai e eu temos muita). Nunca encontrei a resposta. Um dia, decidi conhecer uma terapeuta (psicóloga) e durante a sessão eis que ela me pergunta “e como é o seu relacionamento com a sua mãe?”... as lágrimas não demoraram a lavar o meu rosto...

Em 2009 um evento mudou muito as nossas vidas. Pela primeira vez senti uma alegria e uma tristeza que nunca havia experimentado em qualquer outro momento da minha vida: minha gestação e a descoberta da anembrionária (ou “ovo cego” – quando a gestação não evolui pois o embrião não se desenvolve). Com a descoberta da gestação senti uma aproximação da minha mãe, senti um carinho muito grande. Mas o que mudou pra sempre a nossa relação foi de fato o lado triste dessa história. No dia em que descobrimos a anembrionária (com 10 semanas) eu não queria falar com ninguém porque eu sabia que nada, nenhuma palavra, ninguém iria amenizar a dor que eu estava sentindo. No fim do dia meu pai ligou (meus pais moram no interior) e foi muito gentil e querido comigo... ele me fez acreditar que se eu estava passando por aquilo é porque eu era forte suficiente para suportar... lembro-me de suas palavras “ninguém possui um fardo mais pesado do que pode carregar”. Incrível como ele me admira, como acredita que tenho um potencial que eu jamais consegui reconhecer. Ele sempre foi um alicerce. Mas o mais marcante pra mim foi sentir a minha mãe naquele momento sem sequer trocarmos uma só palavra. Minha mãe não pediu pra falar comigo ao telefone e eu sei exatamente o porque, pude sentir sua energia mesmo há mais de 200km de distância. Minha mãe compartilhava a dor que eu estava sentindo com uma plenitude que ninguém (nem mesmo o Du que estava ao meu lado e era o pai) pôde sentir. Percebi que ela não conseguiria falar ao telefone porque, assim como eu, a dor a calava, as palavras não saiam. Eu nunca tive que perguntar a ela nada sobre esse dia, eu sempre soube que o Amor dela por mim a fez sofrer junto comigo em tamanhas proporções. Desse dia em diante, eu destravei meu coração, desatei um nó e me senti realmente amada.
Em 2010 nos aproximamos um pouco mais com a temporada que ela passou aqui em SP. Foi nesse período que vi minha mãe reconhecer (não através de palavras, mas de gestos) que minha irmã e eu somos sim completamente diferentes mas que ambas possuímos os nossos valores. Lembro-me de um dia vê-la dizer: “Gosto da energia da sua casa, de como você e o Du se relacionam...”. Dentro de mim uma vibração de alegria me contagiou... pois é mãe... talvez eu não tenha seguido tudo como você gostaria, mas tenho meus princípios também... Quando ela reconheceu que dentro da simplicidade do meu lar existia paz e harmonia, percebi que reconheceu o meu valor. Minha irmã linda é uma mulher incrivelmente bem sucedida, que se veste bem, que fala bem e enche minha mãe de mimos... ela é realmente apaixonante. Eu sou a “ovelha negra”, que não se prende em nenhum emprego fixo, nada “workaholic”, que quer ganhar o suficiente pra se manter e aproveitar o resto do tempo jogando baralho com os amigos, curtindo uma piscina ou uma praia, fazendo bolo com as sobrinhas... Eu sei que me falta um pouquinho de ambição mas me sinto muito feliz assim...
O importante é que não tenho mais um nó na garganta, uma coisa mal resolvida, um mal estar permanente.
Minha vida segue, minha mãe me ama e pronto.
Cada filho com sua peculiaridade mas com uma coisa em comum: um AMOR IMENSO!

Obrigada mãe, por me fazer sentir amada, você não faz idéia de como isso foi importante pra mim!

Acho que o relato acabou ficando muito extenso, peço desculpas.
Eu estava precisando desse desabafo com o teclado! Rs

Escrevi tudo isso porque já percebi muitas vezes, acompanhando partos ou casos difíceis de amamentação, que a relação com a mãe sempre pesa!
Recentemente acompanhei o caso da M. que me ligou aos prantos porque sua mãe passou a noite em sua casa para ajuda-la com o netinho recém nascido e numa crise de choro do bebê ela falou pra sua filha “Você tem que dar uma mamadeira pro seu filho, você não percebe que está matando seu filho de fome???”
Esse caso já tem dois meses, M. conseguiu amamentar seu bebê com um seio mas o outro parou de produzir por falta de estímulo (como o mamilo era mais difícil de pegar ela não oferecia mais). Percebi que M. passou a acreditar que estava realmente fazendo seu filho passar fome (que foi reafirmado pela fonoaudióloga que diagnosticou uma disfunção oral do bebê e lhe disse “seu filho não bebe uma gota do seu leite”). Hoje ela está numa amamentação mista (70% Leite Materno e 30% leite artificial). Percebo que ela poderia reverter esse quadro facilmente estimulando a outra mama mas sinto que o que lhe aconteceu (somado ao fato de que “nenhuma das mulheres de sua família conseguiu amamentar”) não a encoraja a tentar. Conversamos um pouco sobre isso e pensamos juntas no que as palavras da avó poderiam representar: com uma mamadeira na história, a avó poderia ser mais ‘útil’ para o bebê além de que, alimentar é algo que as vovós adoooram!

Bem... ainda iria muuuito além mas acho que por hoje é só!
Se você tem um relato legal pra compartilhar, coloque-o como “Comentários”, eu vou adorar e outras mães também poderão refletir sobre suas experiências pessoais.

Mãe é assunto sério! =D

Vale a pena repensar sobre sua relação com sua mãe e colocar ‘cada coisa em seu lugar’. É uma experiência muito forte e incrivelmente transformadora!

por ana garbulho